

A Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), referência na formação profissional e na assistência à saúde pública, vive momentos de profunda tensão e indignação. Uma recente decisão tomada por maioria (2 votos a 1) pela 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) invalidou o critério de bonificação regional nos processos seletivos da instituição.
A medida atinge diretamente 158 estudantes que ingressaram na universidade respaldados por legislação estadual válida e que agora enfrentam o risco iminente de desmatriculamento.
A decisão provocou forte reação de órgãos e representantes públicos. A deputada estadual Cibele Moura, autora da lei que concedia o benefício regional a estudantes de escolas locais, lamentou o posicionamento da Justiça:
"A Uncisal não é mais de Alagoas. Na prática, o que vai acontecer agora é que quem vai passar na Uncisal voltará a ser o povo que não é de Alagoas. Mas o mais triste é colocar para fora 158 alunos que passaram em um processo legítimo, de boa-fé, legal", afirmou em pronunciamento.
Críticos da decisão ressaltam que o fim do critério prejudica a retenção de novos médicos e profissionais de saúde no estado, uma vez que candidatos de fora frequentemente retornam a seus estados de origem após a formatura, esvaziando o retorno social do investimento público feito em Alagoas.
Em resposta ao cenário de insegurança jurídica gerado para os alunos que já cursam suas graduações, a Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) com pedido de liminar. O objetivo da medida é sustar os efeitos da decisão da 3ª Câmara Cível e assegurar que os 158 alunos continuem frequentando as aulas normalmente até a análise do caso pelo Pleno do TJAL.
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